Diariamente

terça-feira, 14 de julho de 2009

POR QUE EU NÃO QUERO CORRER ATRÁS?

A minha decisão com relação ao pai da Sofia não tem a ver com o que eu sinto pelo pai dela, mas sim pela minha história.
Sim, fico chateada com o que o pai dela fez, tenho raiva disso. Mas preferia que ele estivesse perto dela, que desse atenção e marcasse presença pelo menos de vez em qndo.

Bom... meus pais se separaram qndo eu tinha 3 ou 4 anos. Não sei direito. Logo depois a minha mãe já estava morando com o Bimba, meu padrasto.
A infância é sempre uma maravilha! Eu, Sheila e Paulo íamos pra casa do papai e brincávamos MUITO! Meu pai morava num barracão com minha avó e dois irmãos. A casa era pequenininha, mas a área externa... tinha até viveiro, onde um dos meus tios criou pássaros, coelhos, macaco, mico, pato, galinha e por aí foi... Brincávamos no terreiro, na garagem, na oficina que meu pai tinha ali, na rua... Vó fazia chá mate todo dia: da manhã e de tarde; eu só comia do feijão que ela fazia e AMAVA o seu peito de frango!
Aí veio a época em que meu pai começou a levar a gente pro sítio de um amigo dele e pro clube. Eu, principalmente, vivia indo a festas com ele e éramos os primeiros a chegar e os últimos a ir embora!Era perfeito!!!!
Nessa época, as coisas que nos aconteciam só eram sentidas no momento e depois passavam, mas qndo a gente cresce, a gente percebe como as coisas ficam marcadas. Falta de compromisso, ausência msm na presença, etc.
A escola que eu estudava sempre teve dia das mães e dia dos pais. Sempre eu convidava o Bimba para o dia dos pais e ele sempre ia, com o maior prazer. Na pré-adolescência a gente sempre tem aquela fase de 'rebeldia' e, claro, passei por isso. E foi a única vez que, ao invés de chamar o Bimba pro dia dos pais, chamei meu pai. Eu devia ter uns 10 ou 11 anos. A apresentação aconteceu e eu tava TODA FELIZ, pq meu pai tinha PROMETIDO q iria, com certeza! Seria a primeira vez q ele ia aparecer numa festa de escola. Acabou a festa e fomos pras salas, onde os pais iriam buscar os filhos. O motorista da kombi (olha a época! nem era van! rs) foi até a minha sala e perguntou se eu ia embora com ele e eu falei, toda feliz, q não, pq meu pai ia me buscar. Esperei até ver todos os meus colegas sendo pegos pelos pais. O motorista da kombi apareceu de novo e não falou nada. Só apareceu na porta da sala. Eu era quase a única da escola, já. Eu tbm não falei nada e fui embora com ele, chorando.Não lembro o que fiz com o 'presente' que tinha feito pro meu pai. Merecia ser jogado no lixo, já que eu não tive a decência de convidar quem sempre ia; já que era um presente pra quem fez pouco caso do meu convite. Foi a primeira história que ficou marcada em mim.
E depois de muito tempo, não lembro qndo, mas já era a época em que eu sentia de verdade essa ausência, minha mãe lembrava das vezes em q, qndo éramos pequenos, ficávamos esperando o meu pai, com as malinhas prontas, pra ir passar o fds com ele... mas ele não aparecia.
Aconteceu o casamento da Sheila onde, em um momento muito CABEÇA DURA, meu pai não quis entrar com a Sheila, pq ela fazia questão de entrar com o Bimba tbm. Seria assim: meu pai entraria com ela desde o início e na metade do caminho o Bimba encontraria com eles e continuariam, os três juntos, com ela no meio. Ele não quis. Ele tinha certeza de que isso era função e DIREITO dele. Mas a Sheila não deu o braço a torcer, afinal o Bimba faz parte da nossa história desde que nos entendemos por gente. Eu concordo com ela, mas qndo a vi entrando com o Paulo, no lugar do meu pai, me deu uma tristeza profunda... imagino nele.
E, como eu já comentei aqui, tem o lance do aniversário. Eu sempre liguei pra ele, em todo aniversário e ele sempre dizia, amargamente, que ODIAVA aniversário e estar ficando mais velho. Era desanimador ligar pra ele. Esse ano eu não liguei. Falei que tava com preguiça de ouvir coisas desanimadoras. E aí veio o meu aniversário esse ano e, com um susto tremendo, recebi a ligação dele! Ele explicou que todo ano lembrava, mas lembrava em julho e por isso não ligava. Mas que esse ano ele colocou certo na memória do celular e por isso não errou e que ficou muito feliz por não errar. Eu também, pai.
Mas com essa fala dele eu lembrei do primeiro ano da Sofia, quando a desculpa foi "Eu achei que o aniversário dela era dia 25..."

Então eu digo: esses são os MEUS motivos pessoais para não querer reaproximar a Sofia neste momento. Os outros são referentes à história dela que, com quase 5 anos, tem mais chatices do que a minha. Claro, pq eu sou a memória dela neste momento.
Mas meu pai pelo menos demonstrava algum interesse e às vezes aparecia pra nos ver. O 'pai' dela declarou que não quer saber dela.
E a história dela, por ser tão extensa , está aqui. E é pra quem tem paciência ou tiver realmente interessado, pq é extensa, longa e não foram muitos momentos bons. Na verdade, foram poucos momentos juntos, mas muita coisa pra contar.

E a minha decisão se baseia mais num sentido de proteção. De achar que ela não precisa passar por esse sentimento de rejeição. Porque ela não vai entender o fato do pai aparecer hoje e sumir daqui uns dias de novo. E isso é ruim.
Eu continuo dizendo a ela que o pai está viajando e por isso mora longe. Pq ela sabe mais ou menos como isso funciona (o caso do vô Bimba que mora longe), mas eu digo que não sei se ele vai voltar.

Ontem, lendo Cinderela (novidade...), ela ficou me perguntando se madrasta é a mãe. E aí surgiu a oportunidade de começar a mostrar isso pra ela: eu expliquei o caso da minha mãe, que é separada do meu pai (ela conhece o meu pai). Ela não entendeu, como eu já esperava, mas é bom que já começa a absorver as situações...

Enfim, se alguém quiser fazer algum comentário quase texto (né, irmã? rs) pode enviar pro meu email maciel.telma@gmail.com
Acho que fica mais fácil de ler.
Até +!!

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